Dizem por aí – e eu concordo – que não existe arte tão invasiva quanto a música. Longe de mim desmerecer suas seis outras irmãs (porque elas têm valor e muito!), mas o poder de absorção da música é tão intenso que é virtualmente impossível encontrar alguém que não goste de música. Não é incomum flagrar vez em quando os menos apaixonados por música assoviando uma melodia ou acompanhando com o pé ou palmas um ritmo qualquer, ao passo que não é tão raro encontrar pessoas que, por exemplo, passam anos sem ir ao teatro. Assim é a música: chega sem qualquer aviso e, sorrateiramente, invade nossos ouvidos e corações. E para quem vive da música como eu, nada é tão recompensador quanto ver sua arte sendo assimilada por outras pessoas.
Num desses dias comuns que se sucederam na semana passada, estava eu deletando as toneladas de spam que recebo diariamente quando me deparei com um e-mail do YouTube, avisando que um dos meus vídeos havia sido comentado. Abrindo a página, havia a seguinte mensagem:
“cara eu te adoro como sempre você arrasa! eu vejo todos os progamas raul gil, tenho 13 anos e te adoro, vou ser a primeira a comprar teu cd sou inscrita no teu canal te amo muuito fã numero1!
vc vai ser muito famoso escreve oque eu to dizendo! le meus comentarios q vc respondeu no outro video: wherever you will go, que vc vai lembrar de mim. sucesso pra vc beijos!”
Ganhei o dia, a semana, o mês, 2012 é meu! É esse tipo de carinho que me motiva a não me importar com todo osso, fel ou pedras que existam na estrada e seguir tocando vida afora. É esse feedback que me faz acreditar que basta fazer pela música que ela fará por mim e por qualquer um que fizer por ela. E é essa conexão entre o ouvinte e o artista que me dá cada vez mais a certeza de que não existe arte mais envolvente que a música.